Cléo de 5 à 7
Sábado, Fevereiro 18
Quinta-feira, Fevereiro 16
Apontamento final
Excerto de Ressurreição. Lev Tolstói.
Quarta-feira, Fevereiro 8
Feel Me
Touch Me
Heal Me
See Me
Feel Me
Touch Me
Heal Me
Listning to you, I get the music
Gazing at you, I get the heat
Following you, I climb the mountain
I get excitement at your feet
Right behing you, I see the millions
On you, I see the glory
From you, I get opinion
From you, I get the story
See Me, Feel Me. The Who.
Ressurreição. Novos apontamentos
2) Um novo lugar no mundo para Nekhliúdov.
...
Se se colocasse o problema psicológico de como fazer com que os homens do nosso tempo, cristãos, humanos, simplesmente boa gente, comentem as infâmias mais pavorosas sem se sentirem culpados, a solução seria apenas uma: é preciso o que já existe, é preciso que esses homens sejam governadores, chefes de prisões, oficiais, polícias, isto é, que, em primeiro lugar, tenham a consciência de que existe um trabalho chamado o serviço público, em que é possível tratar as pessoas como objectos, sem uma atitude humana e fraternal para com elas; em segundo lugar, que esses funcionários estejam de tal forma comprometidos com o serviço público que a responsabilidade sobre as consequências dos seus actos não recaia em cima de nenhum deles pessoalmente. (...) O problema é que as pessoas pensam que há situações em que se pode tratar o próximo sem amor, mas tais situações não existem. (...) Basta permitires-te tratar as pessoas sem amor, como fizeste ontem com o teu cunhado, e deixará de haver limites para a crueldade e para a ferocidade em relação aos outros, como viste hoje, e será infinito o teu próprio sofrimento, como aprendeste no decurso de toda a tua vida.
Dois excertos de Ressurreição. Lev Tolstói.
Sexta-feira, Janeiro 27
"Um Filme Português" (104')
de Levi Martins, Vitor Alves, Miguel Cipriano, Jorge Jácome, Vanessa Sousa Dias e Carlos Pereira
Cinemateca Portuguesa // 30 de Janeiro de 2012 // 21h30mn // Sala Dr. Félix Ribeiro
Um Filme Português é um documentário colectivo composto por seis segmentos de 17’ que integra entrevistados de várias gerações, de Paulo Rocha a João Salaviza, procurando reflectir sobre um país, e o seu lugar no mundo, através do cinema: quais são, hoje, as principais características do desenvolvimento de projectos para cinema em Portugal? O que pensam os realizadores, produtores, críticos cinematográficos e programadores sobre o cinema Português? Que conclusões tirar das suas opiniões, relatos de experiências e análises da situação contemporânea?
Este documentário é um dos conteúdos produzidos no âmbito do projecto de investigação “Principais tendências no cinema português contemporâneo” (“Main Trends in Portuguese Contemporary Cinema”), desenvolvido no Centro de Investigação em Artes e Comunicação (CIAC), sedeado na Escola Superior de Teatro e Cinema e na Universidade do Algarve, e apoiado pela Fundação para a Ciência e a Tecnologia. Financiado pelo Instituto do Cinema e do Audiovisual (via concurso ICA - Ensino Superior) e produzido em 2011, Um Filme Português estreou a 28 de Outubro de 2011, no IX Festival Internacional de Cinema - doclisboa 2011.
Ao longo de aproximadamente dois anos e meio de trabalho, uma equipa de investigadores permanentes e de convidados entrevistaram realizadores e produtores, portugueses ou trabalhando em Portugal, bem como representantes de exibidoras e de distribuidoras, com o objectivo de identificar padrões comuns no desenvolvimento de projectos cinematográficos – dessa fase de trabalho viria a nascer o dossier “Novas & Velhas Tendências no Cinema Português Contemporâneo”, que incluiu textos introdutórios, ensaios monográficos e conclusões relativas ao seu tema principal, actualmente disponível online (www.ciac.pt, http://biblio.
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Sexta-feira, Janeiro 6
Da dificuldade de lutar contra as correntes
De início, Nekhliúdov lutava, mas lutar era demasiado difícil porque tudo o que ele, acreditando em si, achava mau era considerado bom por todos os que o rodeavam. Finalmente, Nekhliúdov cedeu, deixou de acreditar em si e passou a acreditar nos outros. Nos primeiros tempos, esta abdicação de si mesmo não era nada agradável para ele, mas este sentimento desagradável não durou muito, e não tardou a que Nekhliúdov, que na altura começou a fumar e a beber, deixasse de experimentar esse sentimento de desprazer e sentisse até um grande alívio.
Então, Nekhliúdov, com a sua natureza temperamental, entregou-se todo a esta vida nova, aprovada por todos os que o rodeavam e abafou em si a voz que lhe exigia outra coisa. Tudo isso começou depois de se ter mudado para Petersburgo e culminou com a sua entrada no serviço militar.
(...) mas, no que toca aos militares, eles acham que as coisas devem ser mesmo assim, vangloriando-se, orgulhando-se desta vida, principalmente em tempos de guerra, como aconteceu com Nekhliúdov, que entrou para o serviço militar quando a Rússia já declarara guerra à Turquia. «Estamos prontos a sacrificar a nossa vida na frente de combate, por isso uma vida despreocupada e divertida não só nos é perdoável como necessária. Por isso nos entregamos a ela.»
Assim pensava vagamente Nekhliúdov neste período da sua vida; e durante todo este período sentia o fascínio de ser livre de todos os impedimentos morais que se tinha colocado outrora, e encontrava-se num estado crónico de loucura egoísta.
Este era o seu estado quando, depois de um intervalo de três anos, passou pela casa das tias.
Excerto de Ressurreição. Lev Tólstoi.
Apontamento adicional
Fui, por pura coincidência, de uma acusação e julgamento por um crime não cometido... para outra acusação e julgamento por outro crime não cometido.
Mais apontamentos sobre "Os Irmãos Karamázov"
Quando li a troca de correspondência entre Anaïs Nin e Henry Miller, Nin mencionava que uma das personagens defendia, a certa altura do Romance, a ideia de que todos nós queremos matar o nosso próprio pai: é Ivan que explode em pleno tribunal.
―Está no seu perfeito juízo? ― escapou involuntariamente ao presidente.
―Exactamente por isso, por estar no meu perfeito juízo... um juízo ignóbil, no mesmo juízo que vós todos, que todos esses... focinhos! ― virou-se de repente para o público. ―Mataram o pai, mas fingem-se assustados ―rangeu os dentes com desprezo raivoso. ― Requebram-se todos uns à frente dos outros. Mentirosos! Toda a gente deseja a morte do pai. Uma víbora devora outra víbora... Se não houvesse parricídio, andava toda a gente zangada e iam-se todos embora descontentes (...).
Excerto d' Os Irmãos Karamázov. Fiódor Dostoiévski
Smerdiakov, Bexiguinha e um perturbador raccord
Eu dantes tinha a ideia de refazer a vida em Moscovo com este dinheiro, ou, ainda melhor, no estrangeiro. Era o meu sonho, principalmente porque «tudo é permitido». É verdade o que o senhor me ensinou, e muita coisa me disse: se não houver Deus infinito, também não haverá virtude, qualquer virtude, e também não será necessária. Tudo isso é verdade. Cheguei a essa conclusão.
― Chegaste lá pela tua própria cabeça? ―Ivan fez-lhe um sorriso torto.
―Sob a sua orientação.
Excerto d' Os Irmãos Karamázov. Fiódor Dostoiévski.
Museu Nacional de Arte Antiga
Extinção
Sábado, Novembro 26
Sexta-feira, Novembro 25
Sir Francis Bacon
Domingo, Novembro 20
De facto, fala-se às vezes da crueldade «animalesca» do homem, mas isso é muito injusto e insultuoso para os animais: um animal nunca pode ser tão cruel como o homem, tão artisticamente cruel. Um tigre apenas morde e rasga as carnes, é só isso que sabe fazer, não lhe passaria pela cabeça cravar as orelhas das pessoas com pregos durante toda a noite, mesmo que o pudesse fazer.
Excerto da Confissão de Ivan a Aleksei, mesmo antes do encontro com Smerdiakov...
Os Irmãos Karamázov. Fiódor Dostoiévski.
Quarta-feira, Novembro 9
Impressão minha ou prenúncio para os passos de Aleksei?
Excerto de Os Irmãos Karamázov. Fiódor Dostoiévski.
Terça-feira, Novembro 8
o stárets deu um passo para Dmítri Fiódorovitch e, chegando-se bem junto dele, ajoelhou-se-lhe aos pés. Aliocha já pensava que ele tinha caído, sem forças, mas não era isso. Ajoelhado, o stárets dobrou-se até ao chão diante de Dmítri Fiódorovitch, numa reverência completa, nítida e consciente, chegando a tocar com a fronte no chão.
Excerto de Os Irmãos Karamázov (Vol. I). Fiódor Dostoiévski
E é então que algo começa a fumegar nas minhas mãos. Há uma linha de fogo que me turva a vista: leio e releio; pergunto-me por que motivo andaria eu a adiar a chegada a este 6º capítulo, precisamente aquele que me traria a paixão (o início da paixão) pelo universo dos Karamázov. Leio e releio, aturdida como as restantes personagens que testemunharam este gesto tão inesperado e descabido por parte do stárets... mas, de uma forma inequívoca, é aqui que rebenta o centro nevrálgico do romance. E é incrível a violência com que esta certeza me aborda, disseminando tudo o se passa "lá fora": assim ficamos na cela; assim ficamos impressionados com a estranheza do gesto, e assim somos (também) motivados a unir os significados dos gestos aos acontecimentos dos tempos de correm e àqueles que estão por vir.