Domingo, Dezembro 26





The Spinet (1902). Thomas Wilmer Dewing

Sábado, Dezembro 25


(...) Magra e corada, com um brilho especial nos olhos em consequência da vergonha por que passara, Kiti estava em pé no meio da sala. Quando o médico entrou, ela ruborizou-se e os seus olhos encheram-se de lágrimas. Toda a sua doença e o tratamento pareciam-lhe uma coisa tola e até ridícula. O seu tratamento pareceu-lhe tão ridículo como tentar juntar os estilhaços de um vaso quebrado. O seu coração estava destroçado. Porque queriam eles tratá-la com pílulas e pós?


Excerto de Anna Karénina. Lev Tolstói
.

Yo soy la locura

la que sola infundo
plazer y dulçura
y contento al mundo.

Sirven a mi nombre
todos mucho o poco
y pero no ay hombre
que piense ser loco.



Henry du Bailly - La Folia: Yo so la Locura

Everybody's saying that hell's the hippest way to go

Well I don't think so

But I'm gonna take a look around it though

Blue, I love you


Blue, here is a shell for you

Inside you'll hear a sigh

A foggy lullaby

There is your song from me




Excerto de Blue. Joni Mitchell.
Com After Eight e Casa de Santar Dão (Reserva 2006).

Sexta-feira, Dezembro 24


It's coming on Christmas
They're cuttying down trees
They're putting up reindeer
And singing songs of joy and peace
Oh I wish I had a river
I could skate away on
But it don't snow here
It stays pretty green
I'm going to make a lot of money
Then I'm going to quit this crazy scene
I wish I had a river
I could skate away on
I wish I had a river so long
I would teach my feet to fly
Oh I wish I had a river
I could skate away on
I made my baby cry

He tried hard to help me
You know, he put me at ease
And he loved me so naughty
Made me weak in the knees
Oh I wish I had a river
I could skate away on
I'm so hard to handle
I'm selfish and I'm sad
Now I've gone and lost the best baby
That I ever had
Oh I wish I had a river
I could skate away on
I wish I had a river so long
I would teach my feet to fly
Oh I wish I had a river
I could skate on
I made my baby say goodbey





Terça-feira, Dezembro 21

Oh you're in my blood like holy wine
You taste so bitter and so sweet
Oh I could drink a case of you darling
Still I'd be on my feet
I would still be on my feet





Excerto de A Case of You. Joni Mitchell.

Terça-feira, Dezembro 14




são raras as claridades que do sangue sobem ao rosto. há um lume invisível no teu olhar, uma visão que o espelho me revela: cintilam cristais enquanto dormes, uma árvore cresce nos pulmões. assim construo as paisagens, assim te ofereço a morada de sossego e de prazer. mas tu não vens, porque me és exterior. posso criar o universo inteiro a partir das minhas células, só não posso criar-te a ti, corpo que morre na falsa juventude dos espelhos...


Excerto de
O Medo (3), 16 de Janeiro de 1985. Al Berto

Sábado, Dezembro 11



O sono apodera-se dos poros e ordena-me algo de inexequível, algo que devo temer a todo o custo. Um sopro suave, uma canção que fosse ouvida apenas por ti . Ando a calar conversa que não tem onde ser metida, nunca senti tanto a falta de alguém, nem de mim mesma: falo de um amor que está tão fundo em mim que o sei localizar na zona da bacia. Sinto que sustenta praticamente todo o meu peso, o meu corpo, os meus órgãos, o meu equilíbrio, a minha feminilidade e desejo; está tão dentro de mim que me dá forma e consistência, como se eu fosse Amor e nada mais.
Sobe já o sangue ao cérebro, como um nevoeiro sarnento, sangue negro; quando se calam as conversas assim, sucessivamente caladas, a carne começa a devorar-se a si própria.
Bem sei do que falo, o meu corpo está a desaparecer, e até eu o reconheço.



10/12/2010

Sexta-feira, Dezembro 10

Sei que não costumo fazer isto mas... adoro (mesmo) esta gata.



Quinta-feira, Dezembro 2

Indícios de morte sobre o rosto II

alguma coisa se põe a sangrar dentro de mim, olho as coisas e não as vejo. a alma sangra e não encontro remédio, nem consolo.
o melhor é não pensar, não registar, não me mexer. deixar que o tempo apague em mim a sensação de estar vivo.



Excerto de O Medo (28 de Janeiro de 1984). Al Berto

Indícios de morte sobre o rosto

doem-me as mãos. um vómito sobe. sinto-me demasiado fraco para suportar o meu próprio peso. se ao menos a morte me prevenisse que chegaria. bastava que me mostrasse um vertiginoso buraco na água, um diáfano sorriso de pássaros ou uma pedra flutuando.



Excerto de O Medo (18 de Fevereiro de 1984). Al Berto