Domingo, Julho 10

Sensações omissas e a Morte que nos vigia bem de perto




que horas serão dentro do meu corpo?

que mineral vermelho jorraria se golpeasse uma veia... não sei... não sei...

o que vejo já não se pode cantar.

lembro-me de uma cabeça rebelde flutuando junto à janela.
mas a casa está repleta de gemidos, vai amanhecer, não me lembro de mais nada.

o que vejo já não se pode cantar.

recomeço a fuga, a última, e nela hei-de morrer de olhos abertos, atento ao mínimo rumor, ao mais pequeno gesto atento à metamorfose do corpo que sempre recusou o aborrecimento.




Excerto de morte de rimbaud dita em voz alta no coliseu de lisboa, a 20 de novembro de 1996. Al Berto