Sensações omissas e a Morte que nos vigia bem de perto
que horas serão dentro do meu corpo?
que mineral vermelho jorraria se golpeasse uma veia... não sei... não sei...
o que vejo já não se pode cantar.
lembro-me de uma cabeça rebelde flutuando junto à janela.
mas a casa está repleta de gemidos, vai amanhecer, não me lembro de mais nada.
o que vejo já não se pode cantar.
recomeço a fuga, a última, e nela hei-de morrer de olhos abertos, atento ao mínimo rumor, ao mais pequeno gesto – atento à metamorfose do corpo que sempre recusou o aborrecimento.
Excerto de morte de rimbaud dita em voz alta no coliseu de lisboa, a 20 de novembro de 1996. Al Berto