Quase que se pode morrer com este calor.
Quando era jovem o calor atravessava as paredes e deitava-se na sala a arrefecer; e aqueles anjos fumegantes que circulavam na minha imaginação deixavam-me dormir. Sim, talvez nessas noites eu soubesse como dormir.
Quando um olhar se demora pelo pano negro das noites quentes sei que não são anjos que me espreitam. Aperto-me contra os meus próprios joelhos e o lençol escorrega do meu corpo, desmaiando com um suspiro frouxo.
E o suor ainda se levanta na carne.
Se pudesse levantar o peso do corpo, adiantar-me até àquela passagem. Se pudesse suportar as brasas que sorriem por entre as fissuras pretas da madeira ardida. Se pudesse correr sem ser devorada por chamadas.
22 de Setembro de 2011