Terça-feira, Novembro 8


o stárets deu um passo para Dmítri Fiódorovitch e, chegando-se bem junto dele, ajoelhou-se-lhe aos pés. Aliocha já pensava que ele tinha caído, sem forças, mas não era isso. Ajoelhado, o stárets dobrou-se até ao chão diante de Dmítri Fiódorovitch, numa reverência completa, nítida e consciente, chegando a tocar com a fronte no chão.


Excerto de Os Irmãos Karamázov (Vol. I). Fiódor Dostoiévski


E é então que algo começa a fumegar nas minhas mãos. Há uma linha de fogo que me turva a vista: leio e releio; pergunto-me por que motivo andaria eu a adiar a chegada a este 6º capítulo, precisamente aquele que me traria a paixão (o início da paixão) pelo universo dos Karamázov. Leio e releio, aturdida como as restantes personagens que testemunharam este gesto tão inesperado e descabido por parte do stárets... mas, de uma forma inequívoca, é aqui que rebenta o centro nevrálgico do romance. E é incrível a violência com que esta certeza me aborda, disseminando tudo o se passa "lá fora": assim ficamos na cela; assim ficamos impressionados com a estranheza do gesto, e assim somos (também) motivados a unir os significados dos gestos aos acontecimentos dos tempos de correm e àqueles que estão por vir.