Sábado, Novembro 26
Sexta-feira, Novembro 25
There is no excellent beauty, that hath not some strangeness in the proportion.
Sir Francis Bacon
Sir Francis Bacon
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Sir Francis Bacon
Domingo, Novembro 20
De facto, fala-se às vezes da crueldade «animalesca» do homem, mas isso é muito injusto e insultuoso para os animais: um animal nunca pode ser tão cruel como o homem, tão artisticamente cruel. Um tigre apenas morde e rasga as carnes, é só isso que sabe fazer, não lhe passaria pela cabeça cravar as orelhas das pessoas com pregos durante toda a noite, mesmo que o pudesse fazer.
Excerto da Confissão de Ivan a Aleksei, mesmo antes do encontro com Smerdiakov...
Os Irmãos Karamázov. Fiódor Dostoiévski.
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Quarta-feira, Novembro 9
Impressão minha ou prenúncio para os passos de Aleksei?
Quem mente a si mesmo e ouve as suas próprias mentiras chega a um ponto tal que já não distingue qualquer verdade em si nem à sua volta, deixando por isso de respeitar a si mesmo e aos outros. Ora, sem respeito por todos, o senhor deixa de amar e, para se divertir e distrair, sem amor, entrega-se às paixões e às volúpias grosseiras, atinge um estádio animalesco nos seus vícios, e tudo isso provém de estar a mentir permanentemente a si próprio e aos outros. Quem mente a si mesmo também será o primeiro a ofender-se. É que, às vezes, é muito agradável ficar ofendido, não é verdade?
Excerto de Os Irmãos Karamázov. Fiódor Dostoiévski.
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Terça-feira, Novembro 8
o stárets deu um passo para Dmítri Fiódorovitch e, chegando-se bem junto dele, ajoelhou-se-lhe aos pés. Aliocha já pensava que ele tinha caído, sem forças, mas não era isso. Ajoelhado, o stárets dobrou-se até ao chão diante de Dmítri Fiódorovitch, numa reverência completa, nítida e consciente, chegando a tocar com a fronte no chão.
Excerto de Os Irmãos Karamázov (Vol. I). Fiódor Dostoiévski
E é então que algo começa a fumegar nas minhas mãos. Há uma linha de fogo que me turva a vista: leio e releio; pergunto-me por que motivo andaria eu a adiar a chegada a este 6º capítulo, precisamente aquele que me traria a paixão (o início da paixão) pelo universo dos Karamázov. Leio e releio, aturdida como as restantes personagens que testemunharam este gesto tão inesperado e descabido por parte do stárets... mas, de uma forma inequívoca, é aqui que rebenta o centro nevrálgico do romance. E é incrível a violência com que esta certeza me aborda, disseminando tudo o se passa "lá fora": assim ficamos na cela; assim ficamos impressionados com a estranheza do gesto, e assim somos (também) motivados a unir os significados dos gestos aos acontecimentos dos tempos de correm e àqueles que estão por vir.
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