Sexta-feira, Janeiro 6

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E sim, enganei-me em relação a Aleksei: não há prenúncio onde o vi (suspirei de alívio), e nenhum dos seus irmãos está ao nível da depravação do odioso pai; Ivan não escapa à sua consciência (que o leva à loucura, às alucinações); Mítia tem um fundo generoso e crença na redenção, apesar do seu carácter altamente inflamável.
Quando li a troca de correspondência entre Anaïs Nin e Henry Miller, Nin mencionava que uma das personagens defendia, a certa altura do Romance, a ideia de que todos nós queremos matar o nosso próprio pai: é Ivan que explode em pleno tribunal.


Está no seu perfeito juízo? escapou involuntariamente ao presidente.

Exactamente por isso, por estar no meu perfeito juízo... um juízo ignóbil, no mesmo juízo que vós todos, que todos esses... focinhos! virou-se de repente para o público. Mataram o pai, mas fingem-se assustados rangeu os dentes com desprezo raivoso. Requebram-se todos uns à frente dos outros. Mentirosos! Toda a gente deseja a morte do pai. Uma víbora devora outra víbora... Se não houvesse parricídio, andava toda a gente zangada e iam-se todos embora descontentes (...).



Excerto d' Os Irmãos Karamázov. Fiódor Dostoiévski