E sim, enganei-me em relação a Aleksei: não há prenúncio onde o vi (suspirei de alívio), e nenhum dos seus irmãos está ao nível da depravação do odioso pai; Ivan não escapa à sua consciência (que o leva à loucura, às alucinações); Mítia tem um fundo generoso e crença na redenção, apesar do seu carácter altamente inflamável.
Quando li a troca de correspondência entre Anaïs Nin e Henry Miller, Nin mencionava que uma das personagens defendia, a certa altura do Romance, a ideia de que todos nós queremos matar o nosso próprio pai: é Ivan que explode em pleno tribunal.
―Está no seu perfeito juízo? ― escapou involuntariamente ao presidente.
―Exactamente por isso, por estar no meu perfeito juízo... um juízo ignóbil, no mesmo juízo que vós todos, que todos esses... focinhos! ― virou-se de repente para o público. ―Mataram o pai, mas fingem-se assustados ―rangeu os dentes com desprezo raivoso. ― Requebram-se todos uns à frente dos outros. Mentirosos! Toda a gente deseja a morte do pai. Uma víbora devora outra víbora... Se não houvesse parricídio, andava toda a gente zangada e iam-se todos embora descontentes (...).
Excerto d' Os Irmãos Karamázov. Fiódor Dostoiévski
Quando li a troca de correspondência entre Anaïs Nin e Henry Miller, Nin mencionava que uma das personagens defendia, a certa altura do Romance, a ideia de que todos nós queremos matar o nosso próprio pai: é Ivan que explode em pleno tribunal.
―Está no seu perfeito juízo? ― escapou involuntariamente ao presidente.
―Exactamente por isso, por estar no meu perfeito juízo... um juízo ignóbil, no mesmo juízo que vós todos, que todos esses... focinhos! ― virou-se de repente para o público. ―Mataram o pai, mas fingem-se assustados ―rangeu os dentes com desprezo raivoso. ― Requebram-se todos uns à frente dos outros. Mentirosos! Toda a gente deseja a morte do pai. Uma víbora devora outra víbora... Se não houvesse parricídio, andava toda a gente zangada e iam-se todos embora descontentes (...).
Excerto d' Os Irmãos Karamázov. Fiódor Dostoiévski