Quarta-feira, Fevereiro 22

Now your always hangin' round
You never touch the ground
You make me feel so small
Wish I was ten feet tall.

I'm gonna bring you down to my size
One of these days I'm gonna make you fall
I'm gonna bring you down to my size
Smash your head against the wall.


My Size. John Entwistle.

Sábado, Fevereiro 18


Relia algumas passagens de livros que fui seleccionando ao longo dos últimos anos e encontrei esta, que na altura me impressionou muito mas que já não estava minimamente presente... Agora, ao relê-la, o meu corpo estremeceu. Lembra-me o final do romance, lembra-me o peso que Vronski carrega na alma, o suicídio de Anna... Uma mão de músculo e sangue fechada sobre si mesma, logo ali, no hipódromo, no meio da confusão, do barulho, ainda (tão) distante dos diferentes desfechos destas personagens. Como não o amar?

Quinta-feira, Fevereiro 16

Apontamento final

«Serei eu um louco porque vejo o que os outros não vêem, ou os loucos são os que cometem o que eu vejo»?


Excerto de Ressurreição. Lev Tolstói.

Quarta-feira, Fevereiro 8

See Me
Feel Me
Touch Me
Heal Me

See Me
Feel Me
Touch Me
Heal Me

Listning to you, I get the music
Gazing at you, I get the heat
Following you, I climb the mountain
I get excitement at your feet

Right behing you, I see the millions
On you, I see the glory
From you, I get opinion
From you, I get the story



See Me, Feel Me. The Who.

Ressurreição. Novos apontamentos

1) Abraçar um contexto social (intelectual, artístico, religioso, etc.) que legitime práticas e atitudes. Simulacro. Analisar a ausência de sentimentos de culpa, de arrependimento e a incapacidade da regeneração (ressurreição?) humana.

2) Um novo lugar no mundo para Nekhliúdov.


Qualquer pessoa, para desenvolver uma actividade, seja de que género for, precisa de considerar a sua actividade como importante e boa. Por isso, qualquer que seja a situação de uma pessoa, ela formará, obrigatoriamente, um ponto de vista sobre a vida humana em geral que a levará a considerar a sua actividade importante e boa. (...) As pessoas que, pelos seus destinos e pelos seus pecados e erros, caíram numa certa situação, por mais incorrecta que seja, formam geralmente para si mesmas uma noção de vida tal que lhes permite imaginar a sua situação como boa e respeitável. Para se consolidarem neste seu ponto de vista, tais pessoas, por instinto, aderem a um círculo humano em que se reconhece como correcta a noção que formaram da vida e do seu lugar nela.

...

Se se colocasse o problema psicológico de como fazer com que os homens do nosso tempo, cristãos, humanos, simplesmente boa gente, comentem as infâmias mais pavorosas sem se sentirem culpados, a solução seria apenas uma: é preciso o que já existe, é preciso que esses homens sejam governadores, chefes de prisões, oficiais, polícias, isto é, que, em primeiro lugar, tenham a consciência de que existe um trabalho chamado o serviço público, em que é possível tratar as pessoas como objectos, sem uma atitude humana e fraternal para com elas; em segundo lugar, que esses funcionários estejam de tal forma comprometidos com o serviço público que a responsabilidade sobre as consequências dos seus actos não recaia em cima de nenhum deles pessoalmente. (...) O problema é que as pessoas pensam que há situações em que se pode tratar o próximo sem amor, mas tais situações não existem. (...) Basta permitires-te tratar as pessoas sem amor, como fizeste ontem com o teu cunhado, e deixará de haver limites para a crueldade e para a ferocidade em relação aos outros, como viste hoje, e será infinito o teu próprio sofrimento, como aprendeste no decurso de toda a tua vida.


Dois excertos de Ressurreição. Lev Tolstói.